sábado, 14 de junho de 2008

Tenho medo...

Tenho medo do teu sorriso,
Tenho medo do teu olhar,
Tenho medo da tua paz,
Tenho medo da tua serenidade,
Tenho medo do teu saber,
Tenho medo de ti,
Tenho medo de mim,
Tenho medo...
E são todos estes medos que me povoam a alma, que dão equilíbrio aos meus dias!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Em defesa da língua portuguesa

Há poucos dias, juntei a minha assinatura a outras quinze mil, numa lista encabeçada pelo Vasco Graça Moura, num manifesto-petição contra o Acordo Ortográfico. Fi-lo por convicção.
Embora não seja uma fervorosa adepta das mudanças, sou, no entanto, receptiva a elas, sempre que o benefício esperado supere o respectivo custo. Mas, não me parece que seja o caso no que respeita ao Acordo Ortográfico. Digamos que as alterações acordadas, na prática, pouco mais servirão do que para os portugueses suprimirem uns quantos “p” e outros tantos “c”, para além de nos roubarem e ou trocarem alguns acentos.
Sim, porque nós vamos continuar a chamar “autocarro” ao “ônibus” dos brasileiros e continuaremos a ler “magnata” enquanto eles preferem acrescentar-lhe um “i” imaginário e chamar-lhe “maguinata”. Nós, seguramente, vamos continuar a impor ao pronome pessoal “me” que suceda aos verbos, sendo quase certo que os brasileiros, na hora de pedir, não hesitarão em continuar a dizer “me dá”.
E os PALOP, abandonarão os seus dialectos a partir do momento em que os respectivos países estiverem formalmente vinculados ao Acordo, através do depósito do respectivo documento de ratificação, e como que por magia todos os membros da CPLP afinarão pelo mesmo diapasão?
Será que esta mescla, feita do contributo de todos os países que falam português, com todas as suas especificidades, não ajuda a enriquecer a língua portuguesa?
Se tiver mesmo que haver mudanças, será que não deveriam ser os outros países da CPLP a ajustarem-se aos portugueses na hora de escrever?
Sem querer plagiar-me a mim própria, não resisto, ainda assim, a transcrever alguns excertos de um trabalho que fiz, há umas semanas atrás, exactamente, sobre as origens da língua portuguesa, e que deixo aqui, em jeito de reflexão.
Reflictamos:
“É suposto várias línguas derivarem de uma família comum; no caso do português, do romeno, do italiano, do francês e do espanhol, claramente, derivam do latim, mas, e as outras línguas quem lhes conhece o pai ou a mãe? Mau grado a falta de registos escritos, a exemplo do que aconteceu com o latim, deixa-nos esta pergunta sem resposta.
Poderão as línguas oriundas da família românica considerar-se a nata da sociedade linguística só porque é conhecida a sua estirpe? Se calhar, podem. É isso que se infere das palavras do Autor, mais concretamente quando questiona: “Que faríamos se o latim nunca se tivesse escrito?”
Orgulhosa da minha língua, do meu português que sempre admirei e respeitei, incomoda-me muito verificar - embora aceite as mudanças como um sinal de evolução da humanidade - que, de há uns anos a esta parte, sem escrúpulos e completamente à revelia de qualquer alteração oficial, resultante de acordo ou de convenção linguísticos, se têm adoptado e introduzido no dia-a-dia da língua portuguesa novas formas de falar e de escrever que em nada a enriquecem, antes, dão-lhe um toque de vulgaridade. Refiro-me à linguagem frequentemente usada pelos cibernautas e bem assim nas mensagens por telemóvel.
(...)
Consigo imaginar a língua portuguesa como uma árvore que, em vez de ter um tronco donde saem os ramos, tem muitos ramos que, imaginariamente, caminham na direcção do tronco tornando-o robusto e auto-suficiente. O tronco robusto e auto-suficiente é a língua portuguesa e os ramos são as diversas línguas que lhe deram origem.
(...)
À data da chegada dos romanos, a Península falava, entre outras línguas, a céltica e o basco. Porém, a hegemonia romana foi ditando o desaparecimento daquelas línguas à medida que foi impondo o latim; o latim na sua forma vulgar. A chegada de outros povos, Alanos, Suevos e Godos, foi trazendo novos vocábulos que se foram misturando com o latim que a Península falava.
Ainda assim, o latim não conseguiu resistir à penetração de diversos factores como, “os costumes, as raças, os climas e outros” que acabariam por fraccioná-lo em vários dialectos. Daí a afirmação de que o português provém do latim, embora enriquecido com vocábulos de várias outras origens.
(...)
Estarei correcta se disser que o latim é o substrato da língua portuguesa? Acredito que sim, pois que os fragmentos com que as outras línguas contribuíram para o que é hoje a língua portuguesa não me parece que reúnam as características necessárias para merecerem tal classificação.
(...)
De referir que o latim de que derivam as línguas românicas, é um latim vulgar, do qual não são conhecidos registos que nos permitam ter acesso às suas características e que provinha de várias regiões do império, normalmente trazido por soldados. O latim erudito, que era falado pelos patrícios – os nobres entre os romanos -, pelo clero e pelos Homens da cultura, não era usado entres os amigos em conversas informais nem no seio das famílias.
Sem pretender retirar mérito ao povo árabe, não deixo de ficar surpreendida, após a leitura atenta do texto que serviu de base a esta pequena reflexão, ao constatar que, apesar de tantos séculos de presença na Península Ibérica, o contributo dos árabes para a língua portuguesa é muito menos significativo do que o dos romanos.
O português transporta uma grande herança do latim, que, aliás, acaba por ser a sua matriz, embora muito enriquecido com vocábulos de várias outras línguas, o que reforça a ideia que eu já tinha de que a influência romana foi, em tudo, fundamental para que os portugueses sejam o povo que hoje são.”

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Saudade

"A
saudade cresce
entre os olhos abertos por uma longa distância
sobe pelas correntes dos odores
deixados pela chuva sem estação

fatigada de tanto esperar, a saudade tenta remover
os ninhos das falésias como se a dor caísse
com a leveza dos pássaros..."

Rui Caetano, in Nos Gestos do Silêncio

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Que fazer?!?...

“Fomos ensinados desde a mais tenra infância a sermos racionais, lógicos e consistentes; a evitar os comportamentos emocionais e irracionais; a não deixar transparecer os nossos sentimentos. Ou melhor, sentimentos e emoções são considerados símbolos de estupidez, de fraqueza e aborrecimento. Pior ainda, temos medo que eles ameacem o próprio sistema da nossa sociedade civilizada.”

Shakti Gawain, in Aprenda a Viver na Luz

domingo, 16 de março de 2008

Momentos irrepetíveis

Todos temos, na vida, momentos irrepetíveis. Uns, que de tão bons, desejaríamos poder trocar as voltas ao destino e voltar a vivê-los, se possível, agora, com mais intensidade; outros que melhor fora não termos nascido para não termos que os protagonizar.
Dos primeiros guardamos doces recordações, dos segundos fica-nos a experiência, mestre implacável que, por vezes, nos transmite ensinamentos da forma mais dolorosa. Para estes, vale-nos a certeza de que a mesma água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte.

Mas, em regra, costumamos rotular como "momentos irrepetíveis", os que gostaríamos que se repetissem, porque os outros, esses, nem sequer nos merecem classificação, apesar de terem contribuído para aumentar as nossas defesas contra contingências futuras.
O fio das recordações, que se vai estendendo ao longo das nossas vidas, constitui um alicerce, feito de experiências, que nos permite, por um lado, proteger, por outro, fazer projecções. E é com estes vestígios de vida, os que rotulamos de "momentos irrepetíveis", que vamos alimentando os nossos dias, na secreta esperança de que o futuro possa, ainda, vir a fazer copy past dos momentos que o nosso desejo seleccionou, de modo a alterar-lhes a natureza de irrepetíveis, para que possamos voltar a saboreá-los, desta vez - está prometido -, com superior devoção.
Sem necessidade de manipular a máquina do tempo, ocorre-me, assim, de repente, três instrumentos de inegável eficácia no regresso a vivências passadas, a saber:
- Uma fotografia;
- Uma música;
- Um perfume.
Quem, em contacto com um qualquer destes três elementos, não reviveu já alegrias, emoções, sons de festa, olhares, sorrisos... com nitidez atestada pelos cinco sentidos?

Nisto, damos connosco a enxugar uma lágrima que, em total despropósito - se estamos a reviver momentos felizes?!!... -, resolveu soltar-se como que a querer diluir todas as ousadias do nosso inconsciente.
E são estes registos que nos vão moldando, diminuindo, acrescentando, de modo a que, paulatinamente, a partir da nossa matriz, se vá construindo o Ser que mora dentro de nós.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Vulnerabilidades

Ninguém aprende a lidar com as vulnerabilidades dos sentimentos; essa capacidade é inata no indivíduo e tem um nome: Chama-se “vinculação evitante”.
Têm dúvidas?
Leiam Daniel Goleman

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O dia seguinte...

A vida em tons cinzentos...

"...Quando me sinto só,
Como tu me deixaste,
Mais só que um vagabundo
Num banco de jardim
É quando sinto dó
De mim e por contraste,
Eu tenho ódio ao mundo
Que nos separa assim

Quando me sinto só,
Sabe-me a boca a Fado…
Lamento de quem chora
A sua triste magoa.
Rastejando no pó
Meu coração cansado
Lembra uma velha nora
Morrendo à sede d’agua

P’ra que não façam pouco
Procuro não gritar.
E a quem pergunta minto,
Não quero que tenham dó.
Num egoísmo louco
Eu chego a desejar
Que sintas o que sinto
Quando me sinto só."
Artur Ribeiro